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Manoel Teixeira (Teixeirinha)

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Da Chapada Diamantina ao panteão educacional de Itabuna, a trajetória de um homem que decidiu colecionar diplomas, alunos e um século de histórias.

Nascido em 17 de junho de 1930 em Andaraí e forjado no silêncio interiorano de Ibiquera, Manoel Teixeira Santos logo percebeu que a enxada não seria o seu principal instrumento de desbravamento do mundo. Filho de pequenos agricultores, ele encontrou na literatura uma rota de fuga e um mapa para o futuro, muitas vezes precisando ser o próprio mestre de seus estudos. Aos 20 anos, em um ato de ousadia e inquietude que desafiava a inércia do interior baiano, deixou a casa paterna. Após uma verdadeira expedição exploratória por Itaberaba, Feira de Santana e Salvador, atracou em Itabuna em agosto de 1955, trazendo na bagagem o desejo inabalável de subverter a própria sorte através do conhecimento.

Em terras grapiúnas, onde chegou em 22 de agosto de 1955, Manoel transformou-se definitivamente no nosso emblemático "Teixeirinha". A fome de saber era tanta que ele percorreu com maestria as fileiras acadêmicas locais: fez ginásio, colegial, licenciou-se em Letras e graduou-se em Direito na Faculdade de Filosofia de Itabuna; Direito, na Faculdade de Direito de Ilhéus, na FESPI (a atual UESC). Aprovado em concurso público enquanto ainda engatinhava nos estudos, encontrou na sala de aula o seu palco principal. Lecionando no IMEAM, no Firmino Alves e, com destaque especial, no Colégio Estadual de Itabuna (CEI) - onde marcou gerações como professor de Direito -, ele provou que a verdadeira rebeldia reside em armar os mais jovens com o pensamento crítico.

Contudo, a lousa acabou ficando pequena para a sua energia cívica. Em 1976, Teixeirinha resolveu testar sua retórica na arena política, elegendo-se vereador pelo MDB, seguindo por 03 mandatos. Dez anos depois, em 1986, se candidatou a Deputado Estadual pelo mesmo partido (que na altura se chamava PMDB), sem no entanto ser eleito. Longe de ser um mero figurante no legislativo, ele cravou realizações palpáveis: lutou ativamente pela criação do Hospital de Base de Itabuna, idealizou a Casa do Estudante Itabunense em Salvador e pensou nas mães desamparadas ao requerer uma maternidade pública. Como se a política e a educação não lhe consumissem tempo suficiente, o mestre ainda se permitiu um capricho literário audacioso, publicando o “Novo Dicionário Poliglota”. Com mais de 600 páginas e seis idiomas, a obra é o testamento de uma mente que se recusava a aceitar fronteiras, fossem elas geográficas ou linguísticas.

Hoje, no auge dos seus 95 anos e prestes a completar 96 neste ano de 2026, Teixeirinha segue esbanjando uma lucidez e um bom humor que causam espanto a muito recém-formado. Em dezembro de 2025, durante o 7º Encontro dos Ex-Alunos do CEI, o professor de Direito foi recebido e homenageado com a reverência destinada às lendas. Do alto de sua sabedoria quase secular, ele agradeceu o carinho histórico de seus alunos e deixou um aviso em alto e bom som: seu plano agora é “chegar aos 100 anos de idade”. Considerando o seu impecável histórico de teimosia bem-sucedida, é prudente que Itabuna já comece a encomendar as velas e preparar uma grande festa para o centenário.