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Hilário Lima: um grande sucesso regional interrompido violentamente

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No dia 08 de fevereiro de 1995 aconteceu um crime que abalou Itabuna e região. O cantor Hilário Lima, autor e intérprete da música “Lua de Prata”, que tocava incessantemente na Morena FM, foi asass1nad0 covardemente durante um assalto, na sua casa. Abaixo, reunimos 03 matérias lançadas pelo jornal A REGIÃO na época.


13/02/1995Assaltantes matam Hilário Lima

músico e funcionário da Caixa Econômica Federal, agência de Itabuna. Na madrugada de quarta-feira, 8, três assaltantes entraram na casa do bancário Hilário Kleber Moraes Lima, 34, solteiro, e prenderam o rapaz com uma corda de náilon junto ao vaso sanitário. O rapaz conseguiu se soltar das cordas, mas quando tentou fugir foi rendido por um dos três assaltantes, enquanto os outros dois aplicaram golpes de faca no seu tórax e o asfixiaram com outro pedaço da corda. Os três abandonaram o apartamento do músico pensando que ele estivesse morto e levaram o vídeocassete, equipamento de som, violão, relógio de pulso, rádio, roupas, perfumes e tênis.

Ainda agonizante, Hilário pediu socorro aos vizinhos e durante o trajeto para o pronto socorro do Hospital Calixto Midlej Filho, ele contou como ocorreu o assalto. Hilário, músico e compositor, chegou a suplicar que não o deixassem morrer porque ele estava prestes a gravar um CD. Com ferimentos profundos ele morreu antes de ser atendido. Seguindo a pista de um dos assaltantes, fornecida pela vítima, a Polícia foi até a casa do garçom Wellington Silva Pólvora, na rua Balduíno Silveira, onde os três faziam a partilha do roubo. Um deles, conhecido por Geri, conseguiu fugir, mas a PM prendeu os outros dois.

Um vizinho da vítima, ao saber do crime, telefonou para o repórter Carlos Barbosa, que em companhia do motorista Cambão e do fotógrafo Sabino Primitivo, os três da equipe do Jornal A Região, seguiram a D-20 do Pelotão Especial da PM, comandado pelo sargento Luís Carlos Nunes, em companhia dos soldados Neto, Sidney, Santana, Barreto e Ivan Carvalho, até encontrarem os assaltantes. Ao ser flagrado pela Polícia, Geri correu atirando contra a PM e fugiu pulando um muro de 15 metros de altura. A Polícia continua no seu encalço.

Vítima denuncia seu homicida - Hilário trabalhava à noite, no setor de compensação da CEF, agência da avenida Inácio Tosta Filho, em Itabuna. Ele acabara de chegar em casa e foi até a janela fumar um cigarro e já estava para ir tomar banho quando o garçom Wellington Silva Pólvora, de Jequié, de 19 anos, ao lado de dois amigos, Mateus Santos Nobre, de 18 anos, que mora na rua Guanabara, 108, no bairro São Lourenço, e outro comparsa, identificado como Geri, pediram a ele para subir, ouvir música e beber um pouco.

Agonizante, Hilário contou aos policiais que deixou que eles subissem porque conhecia Wellington, que trabalhava como garçom no Bar "O Brazeiro", situado na Praça do Trabalho, onde ele já fez show de Voz e Violão algumas vezes. O bancário deixou os três bebendo e foi tomar banho. Ao sair do banheiro, enrolado apenas numa toalha, viu quando um dos rapazes começou a cortar a corda do seu equipamento de som, dizendo que iria fazer um assalto. Ele estranhou e tentou reagir, mas foi logo amarrado pelos assaltantes.

Hilário ficou preso em cima do vaso sanitário enquanto os bandidos recolhiam os objetos. Quando o músico tentou se soltar dos fios, um dos marginais apanhou uma faca de cozinha e aplicou um primeiro golpe no lado esquerdo do tórax, enquanto Mateus o asfixiava com outro pedaço da corda. Neste momento, contou agonizante, Wellington pediu a faca ao comparsa e passou a desferir vários golpes em várias partes do seu corpo. Geri apanhou uma panela de pressão e desferiu vários golpes em sua cabeça. Ele desfaleceu e acordou depois que os bandidos saíram, quando começou a pedir socorro aos vizinhos.

Assaltantes confessam outros crimes - Dominados pela polícia, Wellington e Mateus foram conduzidos até o local do crime, na rua Alzira Paim, 117, onde morava a vítima. Um dos vizinhos reconheceu o tênis do bancário nos pés de Wellington e ele retrucou: "Era dele, agora é meu. Hilário tá morto". No Complexo Policial eles foram autuados em flagrante pela delegada Solange Nascimento Seara que os encaminhou à Casa de Detenção, onde estão presos à disposição da Justiça. Wellington confessou ter participado de 12 assaltos em mansões em São Paulo.

O corpo do bancário e músico Hilário Lima, autor da música “Lua de Prata”, que tem sido bastante tocada nos últimos dias nas rádios de Itabuna, foi velado por parentes, amigos, sindicalistas, autoridades e políticos, no velório Santo Antonio. Com grande acompanhamento de pessoas consternadas, o corpo foi sepultado em Ilhéus, onde moram sua mulher, uma filha e demais familiares.

20/02/1995 - Movimento pede apuração de crimes insolúveis

em Itabuna, onde o índice de violência cresce a cada dia, incentivado pelo desemprego e a marginalização das populações carentes. A denúncia é do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região e da Federação dos Bancários de Itabuna que promoveram, na terça-feira, 14, uma passeata em protesto contra a violência com o apoio da Associação dos Funcionários da Caixa Econômica e dos Artistas e Músicos Itabunenses. Os manifestantes lembraram os crimes até hoje insolúveis, mas o principal motivo do protesto foi a morte violenta do bancário e músico Hilário Cleber Moraes Lima, 34, morto na madrugada do dia 8, em seu apartamento no bairro Pontalzinho.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna, Luís Sena, disse que a entidade já estava discutindo o aumento da criminalidade na cidade "que tem se destacado como um centro onde crimes bárbaros são praticados quase que constantemente e alguns desses hediondos acontecimentos não são apurados, os inquéritos não são concluídos e, quando chegam à Justiça, há uma morosidade para que sejam marcados os júris", denuncia.

Para o sindicalista, "o que caracteriza esta violência é o desemprego, a falta de perspectivas do capitalismo selvagem que tem levado as populações de volta à barbárie". Ele disse que cada cidadão deve se tornar responsável na luta contra a violência. Criticou ainda o sistema de segurança pública que "só existe para punir os pobres, negros, mulheres e homossexuais, ou sejam, as minorias raciais e étnicas".

Durante a passeata, que mobilizou mais de cem pessoas, e percorreu a avenida Cinqüentenário, saindo do Jardim do "O" em direção à praça Adami, houve alguns desabafos e o irmão de Hilário, Paulo Sérgio Moraes Lima, disse que "o movimento é importante para que a sociedade e a Justiça não deixem impunes os assassinos do seu irmão". Entre lágrimas, completou: "Ninguém tem a mínima idéia da dor que estamos sentindo neste momento. Eu não sabia que Hilário era tão querido na cidade".

Jorge de Almeida, bancário, que trabalhava ao lado de Hilário, na agência da Caixa Econômica Federal, disse que espera justiça para este crime que não pode passar em branco como tantos outros na cidade. Ele deu um depoimento sobre o colega lembrando que "era um jovem cheio de sonhos e desenvolvia a atividade de bancário não por opção, mas como meio para desenvolver a carreira de músico e compositor e estava com a perspectiva de gravar um CD".

20/02/1996 - PM prende último assassino do cantor e bancário Hilário

em Itajuípe. Gerivaldo Costa Santos, conhecido como Geri, solteiro, 18 anos, residente à Rua Rodolfo Moura, no Bairro de Fátima, foi preso sábado, dia 11, na Feira da Fortaleza, pelo delegado de Itajuípe e Capitão da PM, Rosevelt Salustiano. A polícia se encontrava no encalço do fugitivo há vários dias, porém o marginal sempre conseguia furar o cerco.

Gerivaldo Costa Santos encontrava-se na residência do cantor Hilário Cléber Moraes e em companhia de outros comparsas, de nomes Mateus dos Nobre e Welington Silva Siqueira, quando desferiram vários golpes de faca e de panela de ferro em Hilário, provocando a morte do cantor antes que ele fosse atendido no hospital.

Na mesma madrugada um pelotão da PM, comandado pelo sargento Luís Carlos Nunes, conseguiu prender dois marginais, enquanto o terceiro conseguiu fugir. Presos, os três acusados encontram-se à disposição do delegado Jorge Luís dos Santos, que prepara o Inquérito Policial para ser remetido à Justiça nos próximos dias.

Coronel João de Oliveira Menezes

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Nascido em 15 de Julho de 1867 na Fazenda Várzea Alegre, município de Da Vila de Nossa Senhora Imperatriz dos Campos do Rio Real,  hoje Cidade de Tobias Barreto (divisa de Sergipe com Bahia), aos 6 anos de idade estudou na escola do Professor Manoel Joaquim de Oliveira Campos, em Campos-SE.

Foram os seus pais o Capitão Sebastião Telles de Oliveira Menezes e Dona Luzia de Macedo Silva. Aos 12 anos de idade,  com o falecimento do seu pai, foi com sua genitora para a Vila do Espírito Santo,  hoje Cidade de Indiaroba (divisa de Sergipe com a Bahia). No Engenho do Riacho Fundo, de propriedade do seu avô materno, o Capitão João da Silva Cardoso, foi trabalhar para ajudar a sua mãe a criar os seus irmãos. Aos 20 anos de idade recebeu o título de Barão de Cristinápoles (Sergipe), concedido pelo Imperador Dom Pedro II e recebeu a patente de Coronel da Guarda Nacional aos 26 anos, em 05 de Novembro de 1894.

Casou‐se com sua Prima a Baronesa Dona Júlia Alves de Souza Menezes, com quem teve uma numerosa prole. Desses descendentes,  teve como neto o médico anestesista Dr. José Abelardo Garcia de Menezes, residente em Salvador-BA, e o Memorialista Moacir Garcia de Menezes, residênte em Itabuna.

Chegou a Itabuna em 02 de Junho de 1920, onde comprou o vasarão na Rua da Jaqueira,  depois Rua Joaquim Nabuco, hoje Av. Fernando Cordier. Comprou outras casas na Rua da Jaqueira, além dos terrenos da Racharia até a área onde atualmente fica a garagem da Águia Branca. Comprou Fazendas em Ferradas, outras em Ibicarai, nas Pratas e em Itajuipe.

Foi irmão Remido da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna e fundou a Irmandade da Terra Santa na Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, onde foi presidente Vitalício. Foi um dos fundadores da Sociedade Varejista mantida pela Associação Comercial de Itabuna. Foi comerciante de Secos e Molhados e tinha também Armazém de compras e vendas de cacau.  Faleceu em 08 de Novembro de1947, em Itabuna.

Emerson Fotógrafo - um mestre da memória no sul da Bahia

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A trajetória de Emerson entre os calçados e as lentes que eternizaram Itabuna

Nascido em 30 de junho de 1918 na cidade baiana de Paripiranga, Emerson teve um início de vida marcado pela perda precoce do pai aos quatro anos de idade. Essa ausência exigiu um amadurecimento rápido, levando-o a ingressar no mercado de trabalho aos doze anos na fábrica de calçados do tio. Antes de encontrar o seu caminho definitivo nas artes visuais, ele experimentou diversas profissões. Atuou como modelador de sapatos, vendeu apólices de seguro da previdência e capitalização, além de trabalhar como escrivão do júri e de execuções criminais.

A busca por novas oportunidades o guiou para o sul da Bahia em maio de 1948, quando começou a atuar na venda de ampliações fotográficas. Estabeleceu-se inicialmente em Itajuípe e, na antiga localidade de Pirangi, casou-se com Estelita, união da qual nasceram seus sete filhos. Mostrando sua veia empreendedora e aproveitando o conhecimento adquirido na juventude, montou sua própria fábrica de calçados em Itajuípe, estruturando uma vida aparentemente consolidada no ramo coureiro.

Os caminhos da vida pessoal e profissional passaram por desvios significativos e mudanças de rota. Após o desquite, ele tomou a decisão de retornar com os filhos para Paripiranga, buscando o apoio da família para criá-los. Algum tempo depois, o magnetismo da região cacaueira falou mais alto e ele voltou ao sul da Bahia, fixando residência definitiva em Itabuna. Nessa nova fase, encontrou sua segunda companheira, Bernadete, que se tornaria seu braço direito e o auxiliaria cotidianamente ao longo de sua jornada.

Em Itabuna, a transição para a fotografia não ocorreu de forma imediata. Primeiramente, ele abriu uma loja de sapatos na Avenida Cinquentenário, no prédio onde funciona o Lord Hotel. Anos mais tarde, decidiu abandonar o comércio varejista para abraçar de vez a profissão de repórter fotográfico, transformando uma inclinação pessoal em um projeto de vida duradouro. Curiosamente, apesar de sua dedicação intensa a esse ofício, nenhum de seus sete filhos decidiu seguir a carreira com as câmeras.

Totalmente dedicado à nova profissão, ele se tornou uma testemunha ocular de momentos cruciais da região. Realizou coberturas históricas, como a eleição da itabunense Maria Olívia Rebouças a Miss Brasil e a vitória de Telma Brandão como Miss Bahia. Também documentou tragédias marcantes, a exemplo da grande enchente do rio Cachoeira em 1967. A empresa Foto Emerson funcionou por 47 anos no número 437 da Avenida Cinquentenário, consolidando-se como uma referência no centro da cidade até encerrar suas atividades sete anos antes dos relatos históricos sobre sua vida.

O acervo construído ao longo de quase sessenta anos de carreira é composto por imagens simples e ricas, preservando ritos do cotidiano e paisagens livres do esquecimento. Embora o pioneirismo fotográfico no município pertença a Omar Cana Brasil, que já atuava na área em 1915 e fundou o Cine Teatro Itabuna, o trabalho contínuo de Emerson garantiu a ele o status de personalidade cultural de grande relevância. Ele soube flagrar os instantes da existência humana sob sol e chuva, sendo reconhecido pelos concidadãos como um verdadeiro mestre da imagem.

Para além da técnica, sua postura diante do mundo chamava a atenção de todos ao seu redor. Ele provou ser possível alcançar metas ambiciosas sem atropelar os semelhantes, cultivando a solidariedade, a verdade e a honestidade. Era um homem simples, desprovido de ressentimentos e dotado de uma clareza de pensamento notável. Sabia reconhecer o lado positivo das pessoas, entendendo que a razão e a emoção nos diferenciam dos bichos e nos tornam de fato humanos.

Residente no número 517 da Rua Francisco Ferreira da Silva, no bairro de Fátima, ele manteve a lucidez e a serenidade até os seus últimos momentos. O reconhecimento público por seus serviços prestados à comunidade culminou com o recebimento do título de Cidadão Itabunense, honraria concedida um ano antes de seu falecimento. Aos 98 anos de idade, no ano de 2016, Emerson despediu-se da vida em Itabuna, bem de corpo e alma, deixando a história da região perpetuada em seu vasto arquivo visual.

Adeus a um pilar da cultura no Sul da Bahia: Falece Emiron Gouveia

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O chefe dos laboratórios de Comunicação da Uesc marcou gerações com seu compromisso com a educação e a produção audiovisual regional.

A comunicação e a cultura do Sul da Bahia perderam um de seus grandes nomes na noite da última quarta-feira (29), com o falecimento de Emiron Gouveia de Deus. Com uma longa carreira como servidor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), ele desempenhava a importante função de chefe dos Laboratórios do Curso de Comunicação Social e também acumulava experiência como ator em diversos filmes. A sua partida gerou profunda comoção entre parentes, amigos, colegas de profissão e toda a comunidade acadêmica. 

Ao longo de sua trajetória, Emiron construiu um legado inestimável, fundamentado no apoio à educação e ao desenvolvimento de projetos culturais nas cidades de Ilhéus, Itabuna e em toda a região. Profissional altamente qualificado e sempre com espírito colaborativo, ele se consolidou como uma referência técnica e inspiradora para estudantes, docentes e comunicadores em geral. A sua dedicação foi vital para a evolução do cenário audiovisual local, ajudando a formar e guiar inúmeras gerações de novos profissionais que tiveram o privilégio de conviver com o seu trabalho de excelência.

Diante da enorme perda para a sociedade, a direção da Uesc publicou uma nota oficial de profundo pesar, assinada pelo reitor Alessandro Fernandes e pelo vice-reitor Mauricio Moreau. No documento, a instituição enfatizou que a atuação decisiva de Emiron foi indispensável para transformar os laboratórios do curso em verdadeiros polos de inovação, criatividade e aprendizagem. A universidade registrou seus agradecimentos póstumos por toda a contribuição prestada e direcionou sua solidariedade à família enlutada, desejando que encontrem paz, força e conforto para enfrentar essa dolorosa despedida.


Itabuna: celebrar a nossa história, abraçar os desafios e projetar o amanhã

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Por Alessandro Fernandes

O aniversário de emancipação política de Itabuna, celebrado em 28 de julho, vai muito além do simbolismo de uma data festiva. É o momento ideal para olharmos com orgulho para a trajetória de uma cidade que se consolidou como liderança no Sul da Bahia e, com a mesma lucidez, refletirmos sobre as escolhas que desenharão o nosso futuro nas próximas décadas.


Nossa Força Histórica e Vocação Regional

Poucas cidades do interior baiano exercem uma influência tão viva e acolhedora quanto a nossa. Nosso dinamismo econômico, a forte vocação para o comércio, o pioneirismo regional em serviços, especialmente na saúde e na educação, e a capacidade natural de atrair pessoas e novos investimentos transformaram o município no coração da nossa região. Essa posição de destaque, conquistada ao longo de mais de um século com o suor de nossa gente, traz consigo uma responsabilidade do mesmo tamanho. A nossa história prova que Itabuna sempre soube acolher as dificuldades e transformá-las em recomeços, tanto na cidade quanto no campo.

A crise da lavoura cacaueira, que impactou profundamente a economia regional no final do século passado, poderia ter determinado a nossa estagnação. Mas o que se viu foi a força resiliente do nosso povo. Diversificamos a economia, fortalecemos o comércio, ampliamos o setor de serviços e nos consolidamos como um porto seguro para dezenas de municípios vizinhos.

Essa mesma capacidade de superação pulsa com vigor na nossa zona rural. Os moradores do campo, com sua sabedoria e dedicação diária à terra, mantêm viva a nossa forte tradição agrícola. A agricultura familiar e os nossos produtores rurais não apenas garantem o alimento fresco que abastece as feiras e os lares itabunenses, mas também representam um pilar essencial da nossa identidade e da sustentabilidade econômica do município.


O Coração Pulsante da Economia Local

Dentro dessa visão de futuro, um passo fundamental é aproximar os grandes atacadistas e os centros maiores de abastecimento, do nosso empresariado local, valorizando de forma muito especial o comércio dos bairros.

São as pequenas e médias empresas, ativas em cada canto da cidade, que garantem o sustento de tantas famílias, geram empregos perto de casa e mantêm a nossa economia pulsando. Elas são o verdadeiro motor do desenvolvimento socioeconômico itabunense e merecem todo o nosso apoio.

Contudo, sabemos que não podemos apenas nos orgulhar do que já foi feito. As cidades que liderarão o amanhã serão aquelas capazes de planejar o crescimento com sensibilidade e coragem, unindo o conhecimento humano, a tecnologia e a sustentabilidade no dia a dia das políticas públicas.


Infraestrutura Conquistada e o Caminho para a Inovação

É exatamente aí que se encontra o nosso maior compromisso com as próximas gerações. O crescimento urbano de Itabuna aconteceu em um ritmo muito mais veloz do que a nossa capacidade de planejar. Desafios antigos de mobilidade, drenagem, saneamento, moradia e desigualdade social ainda limitam o bem-estar da nossa população.

É preciso reconhecer que, nos últimos anos, fruto de uma parceria sólida e do compromisso dos governos municipal e estadual, Itabuna vive um momento histórico de modernização e transformações estruturais há muito aguardadas. Essas importantes conquistas pavimentam o caminho para um novo e necessário passo: o de somar à infraestrutura uma gestão urbana focada na inovação.

Esse novo passo preparará nossa cidade para as transformações econômicas e climáticas que já batem à nossa porta. Felizmente, temos diante de nós um horizonte promissor. A expansão da nossa infraestrutura de transportes, a conclusão da BA-649, irá revolucionar nossa logística com Ilhéus e região. Na agricultura que já vem se diversificando, a retomada de uma cacauicultura moderna e focada na qualidade, não apenas das amêndoas, mas também na agregação de valor com a produção de chocolates, fruto do empreendedorismo individual e de associações locais, aponta para um novo ciclo de prosperidade.


O Conhecimento e a Saúde como Vetores de Desenvolvimento

Nesse cenário, o conhecimento se torna a ferramenta mais valiosa para o desenvolvimento, e este é um patrimônio que Itabuna possui de sobra. Nossa cidade se transformou em um polo universitário de excelência, construído com a dedicação de mais de três décadas da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), hoje uma instituição consolidada, e agora fortalecido pela presença da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e de instituições privadas que também desempenham um papel importante para o município e a região, além das ações recentes para implantação de um campus do Instituto Federal da Bahia (IFBA). Toda essa energia acadêmica, somada aos nossos institutos de pesquisa, forma um ecossistema de aprendizado vibrante e raro no país. Essa base científica e educacional confere a Itabuna um imenso potencial para constituir-se em um hub de tecnologia e inovação, pronto para gerar novas oportunidades e servir à nossa comunidade e ao Estado da Bahia.

Além da educação, consolidamos nossa vocação como o principal polo de saúde do sul do estado, oferecendo atendimento médico de alta complexidade para quem mais precisa. Esse cuidado ganhou um reforço essencial com os investimentos recentes do governo estadual, a exemplo da modernização e ampliação do Novo Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães.


Identidade, Efervescência Cultural e Esportiva

Essa mesma energia que cuida da mente e do corpo se manifesta na alma de Itabuna por meio da nossa cultura, da música e do esporte. Fomos berço e inspiração para nomes importantes da literatura e das artes como Firmino Rocha, Amélia Amado, Jorge Amado, Adonias Filho e Candinha Dórea. Essa tradição continua viva em nomes que orgulham nossa história recente, como Cyro de Mattos, Ruy do Carmo Póvoas, Ritinha Dantas, Lourdes Bertol, Janete Macêdo, mestre Sabará da Bateria, Jackson Costa, e o querido Clóvis de Figueiredo Leite, o eterno Kocó do Lordão.

Para acolher tanto talento, nossa cidade expressa sua identidade em espaços públicos de grande valor, como o Centro de Cultura Adonias Filho e o Teatro Municipal Candinha Dórea, palcos que valorizam os artistas da terra. Essa força criativa ecoa na música de Alinne Rosa, na autenticidade de Carla Valéria, Brisa Aziz e Laiô, e no ritmo de tanta gente boa da nossa querida Itabuna. Ela se estende também às festas populares, onde o exemplo maior é o Ita Pedro, evento que hoje projeta nossa cultura para todo o Brasil, gerando turismo, emprego, renda e celebrando com orgulho a nossa identidade nordestina.

A garra do nosso povo também brilha no esporte, alimentando a paixão pelo Itabuna Esporte Clube, o nosso icônico Dragão do Sul, eterno revelador de talentos no futebol, pelo Grapiúna Atlético Clube, e inspirando nossos jovens através da disciplina de campeões como o pugilista Samuel Rosa, hexacampeão brasileiro de boxe. Mas faz-se necessário ampliarmos os equipamentos esportivos, e culturais, inclusive nos bairros, democratizando ainda mais o acesso ao esporte e à cultura.

Planejamento Estratégico e Governança Regional

Sabemos, como cidadãos, que nenhuma dessas oportunidades econômicas ou culturais trará resultados sozinha. Grandes obras e talentos individuais só geram bem-estar real quando caminham de mãos dadas com o planejamento responsável, a qualificação profissional dos nossos jovens, a segurança jurídica e o fortalecimento das nossas instituições. Sem uma estratégia humana e integrada, corremos o risco de ver a economia crescer sem que esse progresso chegue, de forma justa, à mesa de cada morador.

Felizmente, esse caminho já começou a ser desenhado. Hoje, o desenvolvimento se materializa em obras que impactam positivamente a rotina das pessoas, como o novo Complexo Viário, o Viaduto da Avenida Princesa Isabel, que trazem mais segurança ao nosso trânsito, e as obras essenciais para ampliar o abastecimento de água nos bairros. Para o futuro que desejamos, essa integração prática precisa se transformar em um diálogo permanente e maduro entre as nossas universidades, a sociedade civil, os empresários locais e o poder público, convertida em verdadeira política de Estado.

Diante disso, torna-se indispensável robustecer a governança regional. Os desafios da mobilidade, da saúde, da infraestrutura, da preservação ambiental e da atração de investimentos ignoram fronteiras e limites administrativos. Itabuna e seus municípios vizinhos compartilham o mesmo destino, com dores e potenciais idênticos. O progresso do Sul da Bahia dependerá, cada vez mais, da capacidade de cooperação sinérgica entre governos, academias, empresas e a sociedade civil.


Representatividade e o Desenho do Amanhã

Aliada a essa articulação interna, surge a necessidade urgente de uma maior representatividade política para o sul da Bahia. Uma região com tamanha robustez econômica, acadêmica e demográfica não pode aceitar um papel secundário nas mesas de decisão. É fundamental consolidar lideranças capazes de dar voz às demandas regionais junto às esferas estadual e federal, garantindo que o peso histórico e a importância estratégica do nosso território se traduzam em orçamentos, emendas e investimentos públicos proporcionais à nossa grandeza. Afinal, mais do que gerenciar o presente, é preciso desenhar o futuro. As cidades que alcançam elevados níveis de desenvolvimento humano não improvisam, elas planejam.

Cidades fortes estabelecem metas de longo prazo, preservam políticas públicas bem-sucedidas, investem na base educacional e compreendem que progresso econômico e justiça social não são caminhos opostos, mas faces da mesma moeda. O destino de Itabuna não será moldado apenas pelas circunstâncias ou por investimentos externos. Ele nascerá da capacidade de sua gente em construir consensos, fortalecer suas instituições e transformar potencialidades em oportunidades concretas para todos.

Ao celebrar sua emancipação, Itabuna tem motivos de sobra para orgulhar-se de sua história. Contudo, a melhor homenagem prestada às gerações que edificaram este solo é assumir, com coragem e responsabilidade, o compromisso de prepará-lo para os desafios do século XXI.

É tempo de celebrar. Mas, acima de tudo, é tempo de planejar. Porque as cidades que pensam grande hoje são as que garantirão dignidade, qualidade de vida e esperança para as próximas gerações. Como bem entoa o nosso hino municipal:

“Itabuna, sua glória, sua história

São orgulhos ao coração!”

Parabéns, Itabuna!

 

Alessandro Fernandes  

Itabunense, reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Doutor em Ciências Sociais: Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade; Mestre em Cultura e Turismo; Especialista em Economia de Empresas; Economista e Administrador de Empresas. É o atual presidente do Fórum de Reitores das Universidades Estaduais da Bahia e dos conselhos de administração do Parque Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSB) e do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CEPEDI). É membro da Academia de Letras de Itabuna (ALITA), da Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e membro benemérito da Academia Grapiúna de Letras e Artes (AGRAL).


Moisés Chaussê: um nome que ajudou a escrever a história das fanfarras de Itabuna

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Quem viveu a era de ouro das fanfarras em Itabuna certamente se lembra de Moisés Chaussê. Músico, professor e maestro, ele iniciou sua trajetória como regente aos 16 anos, em 1993, à frente da FANCEI (Fanfarra do Colégio Estadual de Itabuna).

Com talento, disciplina e dedicação, tornou-se uma referência no cenário das fanfarras da Bahia. Ao longo de sua carreira, formou inúmeros músicos e conduziu corporações a importantes conquistas estaduais. Foi campeão baiano em 2003 e 2005, com a FAEC, de Camamu; em 2009, com a FANCEI, de Itabuna; e em 2018, com a fanfarra de Ibirapitanga.

Mais do que os títulos, Moisés conquistou o respeito e a admiração de gerações de alunos e integrantes. Ainda hoje, é comum encontrar comentários em vídeos antigos das apresentações, lembrando a FANCEI como uma das melhores fanfarras da Bahia e destacando sua competência como músico, professor e maestro.

Atualmente, Moisés enfrenta um dos maiores desafios de sua vida. Ele convive com ataxia esporádica, uma doença neurológica degenerativa que vem comprometendo seus movimentos de forma progressiva. Mesmo diante das limitações, nunca abandonou a música. Continua compondo, escrevendo partituras e criando novas obras, demonstrando que sua paixão pela arte permanece intacta.

Sua trajetória é parte da memória cultural de Itabuna. Um legado construído com talento, dedicação e amor à música, que continua inspirando todos aqueles que tiveram o privilégio de aprender com ele ou acompanhar seu trabalho.