No dia 08 de fevereiro de 1995 aconteceu um crime que abalou Itabuna e região. O cantor Hilário Lima, autor e intérprete da música “Lua de Prata”, que tocava incessantemente na Morena FM, foi asass1nad0 covardemente durante um assalto, na sua casa. Abaixo, reunimos 03 matérias lançadas pelo jornal A REGIÃO na época.
13/02/1995 - Assaltantes matam Hilário Lima
músico e funcionário da Caixa Econômica Federal, agência de Itabuna. Na madrugada de quarta-feira, 8, três assaltantes entraram na casa do bancário Hilário Kleber Moraes Lima, 34, solteiro, e prenderam o rapaz com uma corda de náilon junto ao vaso sanitário. O rapaz conseguiu se soltar das cordas, mas quando tentou fugir foi rendido por um dos três assaltantes, enquanto os outros dois aplicaram golpes de faca no seu tórax e o asfixiaram com outro pedaço da corda. Os três abandonaram o apartamento do músico pensando que ele estivesse morto e levaram o vídeocassete, equipamento de som, violão, relógio de pulso, rádio, roupas, perfumes e tênis.
Ainda agonizante, Hilário pediu socorro aos vizinhos e durante o trajeto para o pronto socorro do Hospital Calixto Midlej Filho, ele contou como ocorreu o assalto. Hilário, músico e compositor, chegou a suplicar que não o deixassem morrer porque ele estava prestes a gravar um CD. Com ferimentos profundos ele morreu antes de ser atendido. Seguindo a pista de um dos assaltantes, fornecida pela vítima, a Polícia foi até a casa do garçom Wellington Silva Pólvora, na rua Balduíno Silveira, onde os três faziam a partilha do roubo. Um deles, conhecido por Geri, conseguiu fugir, mas a PM prendeu os outros dois.
Um vizinho da vítima, ao saber do crime, telefonou para o repórter Carlos Barbosa, que em companhia do motorista Cambão e do fotógrafo Sabino Primitivo, os três da equipe do Jornal A Região, seguiram a D-20 do Pelotão Especial da PM, comandado pelo sargento Luís Carlos Nunes, em companhia dos soldados Neto, Sidney, Santana, Barreto e Ivan Carvalho, até encontrarem os assaltantes. Ao ser flagrado pela Polícia, Geri correu atirando contra a PM e fugiu pulando um muro de 15 metros de altura. A Polícia continua no seu encalço.
Vítima denuncia seu homicida - Hilário trabalhava à noite, no setor de compensação da CEF, agência da avenida Inácio Tosta Filho, em Itabuna. Ele acabara de chegar em casa e foi até a janela fumar um cigarro e já estava para ir tomar banho quando o garçom Wellington Silva Pólvora, de Jequié, de 19 anos, ao lado de dois amigos, Mateus Santos Nobre, de 18 anos, que mora na rua Guanabara, 108, no bairro São Lourenço, e outro comparsa, identificado como Geri, pediram a ele para subir, ouvir música e beber um pouco.
Agonizante, Hilário contou aos policiais que deixou que eles subissem porque conhecia Wellington, que trabalhava como garçom no Bar "O Brazeiro", situado na Praça do Trabalho, onde ele já fez show de Voz e Violão algumas vezes. O bancário deixou os três bebendo e foi tomar banho. Ao sair do banheiro, enrolado apenas numa toalha, viu quando um dos rapazes começou a cortar a corda do seu equipamento de som, dizendo que iria fazer um assalto. Ele estranhou e tentou reagir, mas foi logo amarrado pelos assaltantes.
Hilário ficou preso em cima do vaso sanitário enquanto os bandidos recolhiam os objetos. Quando o músico tentou se soltar dos fios, um dos marginais apanhou uma faca de cozinha e aplicou um primeiro golpe no lado esquerdo do tórax, enquanto Mateus o asfixiava com outro pedaço da corda. Neste momento, contou agonizante, Wellington pediu a faca ao comparsa e passou a desferir vários golpes em várias partes do seu corpo. Geri apanhou uma panela de pressão e desferiu vários golpes em sua cabeça. Ele desfaleceu e acordou depois que os bandidos saíram, quando começou a pedir socorro aos vizinhos.
Assaltantes confessam outros crimes - Dominados pela polícia, Wellington e Mateus foram conduzidos até o local do crime, na rua Alzira Paim, 117, onde morava a vítima. Um dos vizinhos reconheceu o tênis do bancário nos pés de Wellington e ele retrucou: "Era dele, agora é meu. Hilário tá morto". No Complexo Policial eles foram autuados em flagrante pela delegada Solange Nascimento Seara que os encaminhou à Casa de Detenção, onde estão presos à disposição da Justiça. Wellington confessou ter participado de 12 assaltos em mansões em São Paulo.
O corpo do bancário e músico Hilário Lima, autor da música “Lua de Prata”, que tem sido bastante tocada nos últimos dias nas rádios de Itabuna, foi velado por parentes, amigos, sindicalistas, autoridades e políticos, no velório Santo Antonio. Com grande acompanhamento de pessoas consternadas, o corpo foi sepultado em Ilhéus, onde moram sua mulher, uma filha e demais familiares.
20/02/1995 - Movimento pede apuração de crimes insolúveis
em Itabuna, onde o índice de violência cresce a cada dia, incentivado pelo desemprego e a marginalização das populações carentes. A denúncia é do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região e da Federação dos Bancários de Itabuna que promoveram, na terça-feira, 14, uma passeata em protesto contra a violência com o apoio da Associação dos Funcionários da Caixa Econômica e dos Artistas e Músicos Itabunenses. Os manifestantes lembraram os crimes até hoje insolúveis, mas o principal motivo do protesto foi a morte violenta do bancário e músico Hilário Cleber Moraes Lima, 34, morto na madrugada do dia 8, em seu apartamento no bairro Pontalzinho.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna, Luís Sena, disse que a entidade já estava discutindo o aumento da criminalidade na cidade "que tem se destacado como um centro onde crimes bárbaros são praticados quase que constantemente e alguns desses hediondos acontecimentos não são apurados, os inquéritos não são concluídos e, quando chegam à Justiça, há uma morosidade para que sejam marcados os júris", denuncia.
Para o sindicalista, "o que caracteriza esta violência é o desemprego, a falta de perspectivas do capitalismo selvagem que tem levado as populações de volta à barbárie". Ele disse que cada cidadão deve se tornar responsável na luta contra a violência. Criticou ainda o sistema de segurança pública que "só existe para punir os pobres, negros, mulheres e homossexuais, ou sejam, as minorias raciais e étnicas".
Durante a passeata, que mobilizou mais de cem pessoas, e percorreu a avenida Cinqüentenário, saindo do Jardim do "O" em direção à praça Adami, houve alguns desabafos e o irmão de Hilário, Paulo Sérgio Moraes Lima, disse que "o movimento é importante para que a sociedade e a Justiça não deixem impunes os assassinos do seu irmão". Entre lágrimas, completou: "Ninguém tem a mínima idéia da dor que estamos sentindo neste momento. Eu não sabia que Hilário era tão querido na cidade".
Jorge de Almeida, bancário, que trabalhava ao lado de Hilário, na agência da Caixa Econômica Federal, disse que espera justiça para este crime que não pode passar em branco como tantos outros na cidade. Ele deu um depoimento sobre o colega lembrando que "era um jovem cheio de sonhos e desenvolvia a atividade de bancário não por opção, mas como meio para desenvolver a carreira de músico e compositor e estava com a perspectiva de gravar um CD".
20/02/1996 - PM prende último assassino do cantor e bancário Hilário
em Itajuípe. Gerivaldo Costa Santos, conhecido como Geri, solteiro, 18 anos, residente à Rua Rodolfo Moura, no Bairro de Fátima, foi preso sábado, dia 11, na Feira da Fortaleza, pelo delegado de Itajuípe e Capitão da PM, Rosevelt Salustiano. A polícia se encontrava no encalço do fugitivo há vários dias, porém o marginal sempre conseguia furar o cerco.
Gerivaldo Costa Santos encontrava-se na residência do cantor Hilário Cléber Moraes e em companhia de outros comparsas, de nomes Mateus dos Nobre e Welington Silva Siqueira, quando desferiram vários golpes de faca e de panela de ferro em Hilário, provocando a morte do cantor antes que ele fosse atendido no hospital.
Na mesma madrugada um pelotão da PM, comandado pelo sargento Luís Carlos Nunes, conseguiu prender dois marginais, enquanto o terceiro conseguiu fugir. Presos, os três acusados encontram-se à disposição do delegado Jorge Luís dos Santos, que prepara o Inquérito Policial para ser remetido à Justiça nos próximos dias.







