De suas raízes acadêmicas aos canteiros de obras do Sul da Bahia, a trajetória de uma mulher que desenha, constrói e transforma a paisagem urbana com maestria e pulso firme.
Se a cidade de Itabuna fosse uma imensa tela em branco aguardando novos contornos, Sônia Maria Fontes Moreira seria, sem dúvida, a artista a empunhar os pincéis mais robustos. Atualmente ocupando a vital cadeira de Secretária Municipal de Infraestrutura e Urbanismo (SIURB), ela se consolidou como o autêntico motor do desenvolvimento local na gestão do prefeito Augusto Castro. Mais do que uma burocrata que se limita a assinar despachos no conforto do ar-condicionado de um gabinete, Sônia é a mente inquieta que orquestra desde o asfalto quente nas vias esquecidas até as complexas negociações de alto nível em Brasília. Ela é a força motriz que traduz a vontade política em canteiros de obras palpáveis, assumindo a monumental tarefa de redesenhar o presente e projetar o futuro de uma das mais importantes metrópoles do Sul da Bahia.
A paixão pelas formas e pela pulsação das cidades corre nas veias desta soteropolitana nascida em 24 de março de 1957. Filha de Edmário Pereira Fontes e Maria de Lourdes César Fontes, Sônia começou a moldar seu sólido repertório intelectual nos tradicionais corredores do Colégio São José, no início dos anos 1970, e posteriormente no Colégio Antônio Vieira. Contudo, foi nos criativos corredores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que encontrou sua verdadeira vocação, graduando-se em Arquitetura e Urbanismo no ano de 1981. Inquieta por natureza e avessa à estagnação, atravessou o Atlântico em 2004 para especializar-se em Revitalização Urbana nas históricas terras de Portugal. Era o toque intelectual refinado que faltava para quem já compreendia, com lucidez invejável, que construir o amanhã exige o respeito à memória do ontem.
JORNADA PÚBLICA
Seu ingresso no mercado de trabalho revelou precocemente uma profissional que não se intimidava diante de desafios superlativos. Sua jornada na vida pública teve início de maneira estratégica como assessora da presidência do Banco do Estado da Bahia (BANEB) no final da década de 1970, mas foi na Superintendência de Urbanismo da Capital (SUCAB), em 1984, que a arquiteta assumiu sua face mais técnica e resolutiva. Pouco tempo depois, Sônia mergulhou nas profundezas da alma baiana ao atuar como assistente técnica da Fundação Gregório de Mattos, dedicando seu talento à preservação e ao brilho do Parque Histórico do Pelourinho. “Proteger a história” parecia ser o mantra silencioso que guiava seus passos calculados sobre as seculares pedras soteroplanas.
A notável habilidade de transitar com desenvoltura entre a prancheta técnica e a complexidade das relações humanas a levou rapidamente a postos de comando de altíssima tensão na administração pública. Sônia foi convocada para domar feras urbanas ao assumir a administração de importantes regiões de Salvador, como a efervescente Brotas e o vital e caótico coração do Centro da capital, na virada para a década de 1990. Sua capacidade de articulação política e comunitária era tamanha que não demorou a atuar no estratégico gabinete da Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia. Ali, ela desenhava fluxogramas, costurava alianças e destravava a máquina pública com a precisão cirúrgica de quem domina cada engrenagem do sistema.
CONDER
O grande ponto de inflexão de sua atuação executiva na capital baiana, no entanto, ocorreu quando assumiu com brilhantismo e pulso de ferro a presidência da Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador (CONDER), entre 1994 e 1998. Estar à frente da CONDER não é uma tarefa para espíritos amadores; trata-se de um verdadeiro teste de fogo que exige nervos de aço e uma visão panorâmica inigualável da metrópole. Sob a sua batuta enérgica, a companhia experimentou um período de realizações robustas, consolidando o nome de Sônia Fontes como uma das gestoras públicas mais dinâmicas e respeitadas de sua geração, provando que a competência feminina tem um indiscutível lugar de liderança nas grandes transformações estruturais.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Essa fenomenal bagagem inevitavelmente a catapultou para a arena do parlamento. Eleita deputada estadual na legislatura de 1999 (como suplente, assumiu em janeiro de 2000) e posteriormente reeleita em 2002 para o mandato até 2007, Sônia levou para a Assembleia Legislativa da Bahia a mesma energia incansável dos canteiros de obras. Na tribuna, sua voz ressoou na defesa de projetos estruturantes e na ferrenha luta pela representatividade feminina. Como presidente da Comissão Especial de Defesa da Mulher, exaltou o protagonismo e as conquistas diárias, afirmando com vigor que as baianas tinham "muito o que comemorar" diante das políticas públicas que ajudou a pautar. Legislou com a mesmíssima precisão com que desenhava plantas: buscando bases sólidas, justiça social e estruturas feitas para durar.
ITABUNA
Saltando no tempo e aterrissando no efervescente e desafiador cenário grapiúna atual, Sônia revelou-se a escolha mais que acertada do prefeito Augusto Castro para revolucionar Itabuna. Liderando a Secretaria de Infraestrutura e Urbanismo (SIURB) desde 2023, ela abraçou a missão hercúlea de ordenar uma metrópole regional em expansão. Com um perfil dialógico, porém implacável na cobrança por resultados, Sônia tem liderado frentes de choque essenciais. Sua vasta experiência em gestão pública, incluindo passagens como secretária em municípios como Alagoinhas e Santo Antônio de Jesus, foi fundamental para que, em 29 de dezembro de 2024, sua permanência na pasta fosse confirmada, tendo papel essencial na execução do Programa de Integração Urbana Itabuna 2030, focado no desenvolvimento e planejamento urbano.
É no campo da transformação social tangível que a secretária exibe sua face mais apaixonada. A busca pela dignidade habitacional tornou-se sua grande obsessão, materializada na ousada movimentação para viabilizar "mil casas populares" através do Novo PAC, dialogando sem rodeios com o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal. Seja desbravando a nova fase do Minha Casa Minha Vida ou destravando recursos empoeirados para levar asfalto ao bairro de Santa Inês, Sônia atua como uma implacável caçadora de soluções. Ela transforma convênios paralisados em obras a todo vapor, garantindo à população local que o progresso deixe de ser um mero enfeite em discursos políticos para se tornar o chão de qualidade que todos pisam.
Sua envergadura técnica e bagagem política a colocam nas mesas de negociação mais complexas e determinantes para a região sul-baiana. Sônia é hoje uma figura indispensável nas árduas reuniões conjuntas entre os governos Federal e Estadual, encabeçando debates cruciais sobre o projeto de duplicação da BR-415, o vital cordão umbilical logístico que liga Itabuna a Ilhéus. Quando o assunto envolve as exigentes normas do DNIT ou a recomposição de geometrias viárias, lá está ela, garantindo que as demandas do município sejam prioritárias. Para Sônia, não se faz gestão por achismos; como ela mesma pontua, "a gente tem que conhecer a cidade fisicamente", e é essa intimidade com o pó e a terra que lhe permite desenhar projetos que não ficam confinados às gavetas.
Em retrospecto e, sobretudo, em perspectiva, Sônia Fontes transcende o título de secretária municipal; ela é o esteio arquitetônico de uma nova Itabuna. Seu legado, que entrelaça harmonicamente décadas de experiência em vida pública, excelência em urbanismo e fina articulação política, serve como um farol para o presente e uma bússola inestimável para o futuro. Com um humor astuto para desarmar os entraves burocráticos e uma seriedade inabalável para garantir o cumprimento de cada prazo, ela personifica a força de quem faz história. Falar de Sônia Fontes hoje é reconhecer e celebrar o fato de que Itabuna conta, em sua linha de frente, com uma mente brilhante e infatigável, disposta a erguer não apenas viadutos e avenidas, mas a própria esperança de toda uma região.












